Em outubro de 2012 sofri uma sépsemia, fui para o hospital com cólica no rim, lá foi constatado que um cálculo renal estava entupindo o canal entre o rim e a bexiga, a partir daí iniciou uma infecção urinária.

No meu atendimento sofri uma negligência hospitalar, onde mesmo sabendo-se que eu estava com uma infecção forte os médicos não me medicaram com o remédio devido. Isso fez com que a infecção se generalizasse, ao todo foram 64 dias de internação, destes 43 foram dentro da UTI e 20 em coma induzido.

Tive muitas complicações, insuficiência hepática, renal, cárdica, respiratória e algumas sequelas, umas delas se deu pela  falta de oxigenação no corpo e fez com que minhas extremidades ficassem sem circulação de sangue, o que levou a necrose dos meus pés e vieram as amputações.

Sai do hospital em janeiro de 2013, muito debilitada, a partir daí, sabia que minha vida seria totalmente diferente, iniciei minhas terapias e logo procurei os esportes como uma forma de reabilitação, pois sabia que o quanto mais eu trabalhasse meu corpo, mais rápido ele iria voltar ao normal, entrei para natação e atletismo ainda na cadeira de rodas, apenas 5 meses depois coloquei as próteses. Após a protetização minha qualidade de vida foi melhorando cada vez mais e eu também me envolvendo cada vez mais com o esporte.

Virei atleta, participei de diversas provas no atletismo, algumas na natação, corridas de rua, travessias aquáticas, voltei a fazer praticamente tudo que sempre fiz, voltei a pedalar e também a andar de patins.

Quando dei por mim estava praticando o triathlon, um esporte que se uni três modalidades, natação, ciclismo e corrida. Desde 2015 estou no triathlon, em maio de 2017, fui a primeira mulher do mundo a participar de uma prova de IronMan, a maior prova de triathlon do mundo, são 3.800km de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida.

O IronMan é um grande sonho para mim como atleta, e um outro sonho que eu tenho como mulher e amputada era poder utilizar pés de salto alto, já que minhas próteses convencionais não são próprias para o uso de salto.

Então em outubro deste ano adquiri os pés de salto alto, o que foi muito bom para minha autoestima, foi aí que recebi um convite para estrear meus pés na Vai Vai, escola de samba muito querida por mim. Desde pequena sempre admirei muito os desfiles sempre me imaginando um dia desfilar.

Assim como no IronMan, serei a primeira mulher biamputada a desfilar em uma escola de samba em São Paulo e entrarei para a história da Vai Vai e do Carnaval com muito orgulho em representá-la, porque Sambar Com Fé Eu Vou!!!

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Cenas da passagem de Adriele Silva pelo ensaio da escola de samba Vai-Vai, na gravação de uma matéria especial para o Globo Esporte, onde foi recebido pelo Presidente Neguitão, Vice-Presidente Thobias da Vai-Vai, Mestre de Bateria Tadeu, Passistas de Ouro, Marcus e Victor Prado, baianas e toda comunidade vaivaiense, que muito se orgulha deste ser humano guerreiro que é ADRIELE SILVA, sempre em busca de seu ideal e mesmo com tantas adversidades pelo caminho, jamais abandonou da sua fé, pois “SAMBAR COM FÉ EU VOU!”

BEM-VINDA À SARACURA, ADRIELE SILVA, VOCÊ FAZ PARTE DA COMUNIDADE VAIVAIENSE!








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