Curiosidades Vai-Vai

Uma história muito interessante que tenho para contar sobre os carnavais do Vai-Vai, é que o Vai-Vai é uma escola diferente, nós somos uma escola em que para tudo dar certo tem que dar algo errado, Não é uma escola certinha, uma escola que tem tudo sobre o domínio, na nossa escola tem que ter adrenalina, tem que ter incerteza e é nesta incerteza, que nós tiramos força para realizar o impensável, realizar o improvável e assim chegarmos ao um resultado feliz. Para nós do Vai-Vai, quanto está tudo certo, tem algo errado, como já dissemos, nós não sabemos trabalhar com o provável, trabalhamos na incerteza, dai dá tu certo.

Tem um caso que aconteceu com a gente no carnaval de 1982, com o enredo Orum Aye “Eterno Amanhecer”. Um fato que prova esta nossa tese, aconteceu no sábado de carnaval. “Por volta das 15 horas, nosso saudoso presidente, Senhor José Jambo Filho, conhecido no mundo do samba como (Chiclé), estava na porta da quadra dando uma entrevista para uma repórter da Rádio Bandeirantes e falava sobre os preparativos do nosso carnaval, que já estava tudo pronto e que só faltavam detalhes para o desfile. E era justamente ai que nos preocupava, estava tudo pronto: As fantasias, os carros, que só faltava um detalhe final no abre alas que era decorado com espelhos, em fim nada sem importância. Mas para nós não estava certo, como já disse para nós do vai-vai, tudo certo é que tem algo errado.

No fundo do palco na rua, estava rolando um churrasco e muita cerveja, a repórter perguntava se iríamos fazer o bi campeonato, claro que sim, respondeu “seo” Chiclé, mas estávamos ressabiados com o tudo certo! Foi quando surgiu do nada e muito nervoso Zé Mário, aos gritos, comunicando que havia acabado o espelho para terminar o carro abre-alas, por um momento ficamos em pânico, foi então que o “seo” Chiclé, dentro da sua sabedoria, falou calma: Calma, que esta começando a dar tudo certo. A repórter percebeu algo no ar e nos perguntou o que estava acontecendo, “seo” Chicle relatou o fato e, como um bom repórter que corre atrás dos fatos, na hora ela colocou no ar o acontecimento e nós ficamos ali tentando digerir as palavras do “seo” Chicle.

Passaram-se cinco ou dez minutos do relato da repórter na Rádio Bandeirantes, apareceu um senhor com um espelho nas costas, dizendo que havia tirado do guarda roupas e que depois comprava outro, o que interessava era o Vai-Vai e terminar a alegoria. Isto também foi pro ar. Daí pra frente, chegaram tantos espelhos na quadra que dava para fazer outra alegoria. Por volta das 8 horas da noite a alegoria estava pronta. E o resultado já sabemos, ganhamos o carnaval.

Outro fato marcante, foi no carnaval de 1999 com o enredo NOSTRADAMUS, do carnavalesco Chico Espinosa. Corria “tudo bem”, mas a nosso ver algo estava errado. As alegorias estavam todas cobertas na concentração, as alas na quadra esperando os ônibus, bateria, baianas, comissão de frente… bem a comissão de frente salvou o nosso carnaval. Por volta das 11 horas da noite do dia do desfile, eu (Penteado), inconformado com a situação, pedi para meu filho ir até o nosso barracão ver se estava tudo certo, foi quando ele me ligou do barracão, assustado relatando que tinha um problema com a comissão de frente, que as capas que a comissão iria usar no desfile não tinham chegado, foi um grande alívio para todos, o que faltava para ganharmos o carnaval estava ali, nas capas que não ficaram prontas. Chico Espinosa pegou as lonas pretas de cobrir os carros alegóricos, fez as tais capas e pronto. Fomos para o desfile, ganhamos o carnaval e de quebra levamos o troféu de melhor comissão de frente.

Estes são apenas alguns dos fatos inusitados que acontecem com a nossa Escola de Samba Vai-Vai. Sabemos que não devemos deixar que as coisas deem erradas para ganharmos o carnaval, mas, são fatos que aconteceram e qualquer um tire sua conclusão.

por Fernando Penteado
Diretor Geral de Harmonia

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