79 ANOS DE VAI-VAI COM “SEO” NENÊ

Nascido em 09 de maio de 1925, na rua Santo Antônio, num cortiço de família italiana, Diamantino José Pinto Barbosa, o “Seo” Nenê do Vai-Vai, desde criança era apaixonado pela musicalidade do samba, que puxou de seu pai, músico que tocava num trio responsável por colocar som nos filmes do cinema mudo da época.

Fundador da Velha Guarda da Vai-Vai, saiu por 15 anos na bateria da escola, tornando-se hoje (2014), por idade, o mais velho componente de uma mesma escola de samba.

“Seo” Nenê, um menino de 90 anos de idade e 79 anos de Vai-Vai.seo-nene Após o falecimento da mãe, a família “Mirabile” ajudou o pai do menino magricela a criá-lo.”Uma das filhas dele me criou e eu ficava junto lá na venda de carne no bairro, sendo que o caminhão dos açougueiros ainda era puxado por um burro”.

Com a influência italiana sobre todo o bairro do Bixiga, Diamantino também teve que se “italianar”. Foi batizado, fez primeira comunhão e se casou na igreja de Nossa Senhora Achiropita. Tentou ser coroinha, mas não deu certo. “A gente era mais interessado em comer os chocolates e os pães que a igreja nos dava”.

Igreja e festa – A procissão saía e as famílias disputavam quem colocava mais dinheiro no estandarte de Nossa Senhora (até cem mil réis), principalmente os açougueiros e os batateiros. Na metade da procissão, o estandarte ficava coberto de dinheiro. Segundo “Seo” Nenê, os mais pobres jogavam moedas de mil réis. Após cumprir sua função de recolher o dinheiro que caía no chão e devolvê-lo à santa, ele só pensava no cordão. “A procissão e, depois, o cordão eram sagrados”, afirma.
A mistura acontecia sem celeumas. “A única coisa que difere o italiano calabrês e o negro é a cor da pele. Os dois são festeiros, falam alto, gesticulam”. “Importante lembrar que a primeira vez que vi o Vai-Vai, eu senti qualquer coisa dentro de mim, que eu não conseguia nem descrever”.
Era o início da década de 1930. Diamantino não podia nem ouvir o cordão, que já corria atrás. “Se estivesse estudando ou fazendo qualquer outra coisa, largava tudo e saía cantando no Vai-Vai”.

Curiosa proteção – Nos desfiles, alguns foliões se encarregavam de proteger a ala dos instrumentos, formada sobretudo por bumbos, caixas e taróis. “Tinha o Sardinha, conta “Seo” Nenê, que me via magrinho, baixinho e falava que alguém iria acabar pisando nesse moleque – “…vai matar ele…”- aí me puseram para dentro, do lado da bateria”, ilustra. Desde que colocaram o”magricela” para dentro da bateria, nunca mais saiu.

Já adulto, tornou-se emérito músico profissional, tendo sido homenageado pela Ordem dos Músicos como “Melhor Ritmista”, além de ter conquistado cinco troféus “Roquete Pinto” com o regional do Caçulinha, com quem atuou por mais de 25 anos.

Viajou o Brasil inteiro em shows acompanhando Pixinguinha, Orlando Silva, Silvio Caldas, Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves, Angela Maria, Moacir Franco e muitos outros expoentes da Música Popular Brasileira.

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