Hall da Fama

Apresentamos a seguir, a série ‘HALL DA FAMA VAI-VAI” onde destacaremos as maiores personalidades e os grandes personagens que tiveram importante participação na história do cordão carnavalesco e da própria escola de samba Vai-Vai. Não há necessariamente uma ordem cronológica ou publicação pela ordem de grandeza para a Saracura, mas sim, funcionará como uma AUTÊNTICA HOMENAGEM à estas figuras de destaque, que as novas gerações precisam conhecer.

Com dados  coletados pela equipe da Diretoria de Comunicação, semanalmente publicaremos um resumo da vida e obra dos diversos personagens ligados umbilicalmente à Vai-Vai.

HALL DA FAMA VAI-VAI
Homenagem: TEREZINHA MORAIS

TAMBORIM, MINHA PAIXÃO, CONHEÇA A HISTÓRIA DA
TEREZINHA, A PRIMEIRA RITMISTA DA VAI-VAI

13662473_531794000364310_388762878_o
Ela conheceu o Grêmio Recreativo Cultural Social Escola de Samba Vai-Vai no ano de 1974, por meio do ex-marido, o falecido Robertinho, diretor de harmonia da agremiação. “Ao lado dele passei a frequentar a escola, mas não como componente; eu ainda era uma grande admiradora”, conta a vendedora, Terezinha Benedita de Moraes, 67, a primeira mulher a integrar a bateria da Vai-Vai.

TEREZINHA 1  13867083_531794237030953_2115860686_n

BATUCADA FEMININA: Você foi à primeira mulher na bateria da Vai-Vai, tocando tamborim. Como se deu essa iniciativa?
TEREZINHA: Essa oportunidade aconteceu em uma das festas da escola. Eu fiz um pedido particular ao Mestre Tadeu, demonstrei a minha vontade em tocar tamborim na bateria, mas ele me questionou: — “Você sabe tocar?” — Eu respondi sim, eu sei tocar.

Então, no final da festa, o Mestre me chamou para bater um papo e, após a conversa, dei inicio aos ensaios no bairro do Bixiga, onde se localiza a quadra da Vai-Vai. A felicidade foi plena, porque eu amava e, até hoje, amo o carnaval e a minha escola!

13884429_531794007030976_1149683607_nBF: Você tocava tamborim, mas sabia tocar outros instrumentos?
TEREZINHA: Eu concordo que a bateria é composta por outros instrumentos, mas minha paixão sempre foi o tamborim, o único que sei tocar.

BF: O seu primeiro desfile pela Vai Vai ocorreu em qual avenida?
TEREZINHA: Eu mal podia acreditar que o meu sonho se tornava realidade! Foi em 1979,   eu estava ali na bateria, desfilando na Avenida Tiradentes, meu primeiro ano como ritmista da escola. Fui muito feliz enquanto estive na Vai-Vai, por vários motivos; um deles, por eu ter sido campeã nos anos de 1981 e 1982. Devido a problemas pessoais, não desfilei nos dois anos seguintes, porém retornei à passarela do samba em 1984 e 1985.

BF: Nessa época, a agremiação era considerada escola ou cordão?
TEREZINHA: O Grêmio Recreativo Cultural Social Escola de Samba Vai-Vai já era escola desde 1972.

BF: Como foi a reação dos ritmistas (homens) e até mesmo de sua família ao vê-la ingressar na bateria
TEREZINHA: Em princípio, os ritmistas ficaram apreensivos, porque não era comum uma mulher na bateria, era estranho. Para eles, uma mulher na batucada era diferente,  ainda mais que o mestre Tadeu, sempre muito exigente, costumava ensaiar várias vezes o naipe de tamborins, separadamente.

Eles ficavam na expectativa para que eu errasse, para ser eliminada. Mas a forma com que o  Mestre Tadeu conduzia a situação era genial,  não me tratava com indiferença, sem contar que o meu desempenho contribuiu muito para tudo dar certo. Meu esposo, no inicio, ficou com receio, mas a família sempre me apoiou; foi uma grande novidade, eles  ficaram surpresos, mas me deram muita força.

BF: Você passou por algum tipo de discriminação ou preconceito por ser mulher, tocando na bateria
TEREZINHA: Sim, sem dúvidas, passei pelas duas situações. O Presidente da agremiação na época, José Jambo Filho, mais conhecido como Chiclé, e os conservadores da escola perguntavam ao Mestre Tadeu: “Você tem certeza do que está fazendo?” E ele dizia: “Deixa comigo! Eu seguro a onda.” Aos poucos, eles passaram a aceitar a ideia e a imprensa, na época, deu uma grande cobertura ao fato.

BF: Hoje pode se dizer que o ingresso das mulheres na batucada é igual à antigamente?
TEREZINHA: Acredito que hoje o ingresso das mulheres na bateria melhorou muito; as oportunidades, a cabeça das pessoas e dos mestres mudou bastante em relação à minha época, ainda mais porque as mulheres provaram que tem ritmo, força e dedicação.

13883860_531794653697578_967944117_nBF: Hoje você vive em Vila Velha (ES). Como enxerga o carnaval de São Paulo de hoje em relação a tecnologia, e até mesmo no andamento da batucada?
TEREZINHA: Hoje, eu assisto aos desfiles pela televisão e observo que a tecnologia é consequência do progresso em todas as áreas. As escolas, porém, precisam tomar cuidado para não perderem suas essências, por mais que sejam necessárias as mudanças principalmente na bateria. O “coração” da escola não pode perder a tradição em relação ao swing e cadência.

BF: Você acha que a mulher tem os mesmos direitos e deveres que os homens dentro de uma bateria
TEREZINHA: Acho que, na minha época, o ingresso das mulheres na bateria era mais difícil. Hoje, elas conquistaram um espaço muito maior, mas está longe de ser o ideal. Mesmo com todas as dificuldades, as mulheres não devem desistir, mas sim, se divertir e desfilar em qualquer ala inclusive na bateria, tocando qualquer instrumento.

BF: Qual a sua mensagem para as mulheres que desejam ingressar nas baterias de escola de samba
TEREZINHA: Para as mulheres brasileiras em geral, todas as guerreiras capazes de manter uma jornada tripla de trabalho, que são os esteios de famílias, a minha mensagem é que vocês podem e devem, sim, buscar o espaço nas baterias das escolas, conquistando respeito e admiração de todos, mas mantendo sempre vivo o amor ao samba.

Por Tânia Moreira

 

HALL DA FAMA VAI-VAI
Homenagem: DONA OLÍMPIA

DONA OLÍMPIA, DOS CORDÕES À ESCOLA DE SAMBA

vv-hall-da-fama2

“Quem Nunca Viu O Samba Amanhecer…”

Em 3 de novembro de 1914, nascia Olímpia dos Santos Vaz, hoje conhecida como “Dona Olímpia da Vai-Vai”, integrante da Embaixada do Samba, título outorgado pela UESP/União das Escolas de Samba Paulistanas.

“…Vai No Bixiga Prá Ver…”

“Meu marido, Diógenes Carlos Vaz – pianista, tocava na noite paulistana, em boites e salões, as músicas de Francisco Alves, João Dias, dentre outros artistas – não gostava que participasse do Carnaval, dos cordões, afirma Dona Olímpia, porém o samba falava mais alto e, segurando pelas mãos, minhas filhas Cleusa, Clélia e Claudete, íamos escondidas aos cordões de Campos Elíseos e Flor da Mocidade, onde elas participavam como rainha e princesas e eu colaborava costurando as roupas dos componentes”. Certo dia, após sua mudança para o bairro da Bela Vista, o popular Bixiga, mais propriamente para a Rua Major Diogo, Dona Olímpia, por acaso, estava descendo a Rua Rui Barbosa quando o cordão Vai-Vai passava e entrou na Rua Maria José. Suas filhas se entusiasmaram, entraram no meio da folia e começaram a dançar.

“…Vai No Bixiga Prá Ver…”

O lendário “Pé Rachado”, Sebastião Eduardo Amaral, que comandou o Vai-Vai por 25 anos, fundador da antiga Federação das Escolas, Blocos e Cordões Carnavalescos do Estado de São Paulo e considerado um dos cinco cardeais do samba paulistano, viu as meninas e indagou a razão delas não estarem desfilando pelo Vai-Vai. “Bem que elas querem, mas o pai delas não permite de modo algum e já disse várias vezes, que não quer elas nisso”, respondeu Olímpia. Mas a persistência e a tenacidade falaram mais altas e de tanto insistir, e até brigar com seu marido, ele não resistiu e veio a concordar com o pedido: elas desfilaram lépidas e fagueiras fantasiadas de Odalisca.

“…O Samba Não Levanta Mais Poeira…”

Já no segundo ano de desfile, Pé Rachado em visita à família, fez um pedido formal: que a Claudete, segunda filha de Dona Olímpia, saísse no Vai-Vai de Rainha e seu outro filho, o Claudionor, carinhosamente chamado pela mãe pelo apelido de Teleco, desfilasse caracterizado de Rei Momo. Ambos já falecidos, fizeram então suas melhores performances, alternando graça, leveza e, principalmente, muito amor ao samba. Claro que são lembrados com rara emoção pela nossa Embaixadora do Samba e por todos os amigos que os conheceram.

“… E O Asfalto Hoje Cobriu O Nosso Chão…”

O tempo foi passando e sempre acompanhando o Vai-Vai, a mãe de Claudete, Clélia, Cleusa, Claudionor e Clayton, resolveu, certo dia, em conversa com o presidente e amigo Pé Rachado, montar a Ala da Corte, que hoje é a Ala do Império. Havia o pavilhão nesta época, mas não existia a bandeira. Cleusa saía de Princesa, Claudete assumia a condição de Rainha e Claudionor desfilava como Rei Momo. Nesta mesma ocasião, Clayton, o filho mais velho, organizou a Ala “Sente o Drama”, considerada por Dona Olímpia, como a ala mais linda que havia no cordão do Vai-Vai.

“…Lembranças Eu Tenho Da Saracura…”

Certamente um dos motivos para explicar o envolvimento constante de Dona Olímpia com o Carnaval remonta-nos à sua própria família, grande admiradora desta fase popular, onde os parentes e sua mãe participavam com empolgação, sendo que seus irmãos tocavam flautim e pandeiro nos cordões da época. A paixão de Dona Olímpia pelo Carnaval vem desde a infância, mais precisamente dos sete anos de idade, aliás, mesma idade com que começou sua filha Cleusa, porta-bandeira da escola por 23 anos, hoje com mais de 50 anos de Vai-Vai e integrante da Velha Guarda da agremiação.

“…Saudades Eu Tenho Do Cordão…”

Um fato inusitado e por demais engraçado, compõe o passado histórico-carnavalesco de Dona Olímpia, que poderia inclusive virar enredo de escola de samba: “O Dia Em Que A Vaca Foi Para O Brejo e Virou Fantasia”. A história é a seguinte: O pai de nossa entrevistada, um português, que além de dinheiro e ouro, tinha muitos bens, dentre eles vários animais, como vacas, para citar alguns. Para ajudar na confecção das fantasias, Dona Olímpia empenhava todo o ouro que o pai lhe presenteava, mas como por algumas vezes, não era suficiente, ela pegou uma das vacas e a vendeu, comprando o material que faltava e colocou a Comissão na rua. Fantasiada, alegre, saltitante e devidamente patrocinada por uma vaca…

“…Bixiga Hoje É Só Arranha-Céu…”

“O Carnaval dos tempos de cordão e do início da escola era muito melhor do que atualmente, prossegue Dona Olímpia, a união acentuadamente maior, havia mais alegria, tudo era mais despojado, menos preocupação com pontuações e resultados. Na porta do Cine Rex, por exemplo, tínhamos a “Batalha de Confete”, realizada no dia do desfile e promovida pelos italianos como o Vicente, o Américo, o Miguel Biondi, que tinha o Bar Petisco, na esquina da Rua Rui Barbosa. Era maravilhoso, emocionante mesmo. Nós não víamos a hora de participar!”

E esta festa demonstrava claramente a total e perfeita integração entre os habitantes moradores do Bixiga, negros e italianos, que a cada ano procuravam superar-se e extravasar sua alegria sem brigas ou confusões.

“…E Não Se Vê Mais A Luz Da Lua…”

Conforme afirmou Dona Olímpia, para que possamos ter ideia do envolvimento das pessoas com os desfiles dos cordões e do auxílio descompromissado que um componente prestava ao outro, relembra novamente o presidente Pé Rachado, que comprava 60 metros de pano para Claudete, uma de suas filhas, que costurava e colocava no desfile cerca de 50 a 60 crianças garbosamente fantasiadas. “Na minha ala, confirma Dona Olímpia, eu também comprava os tecidos para montar as fantasias e tudo era feito em minha casa”

“…Mas O Vai-Vai Está Firme No Pedaço…”

Finalizando, Dona Olímpia, além de mostrar suas raízes fortemente entrincheiradas nas terras do Bixiga, apresenta seus netos e bisnetos, que, como havia de ser, seguem os passos da Matriarca, Embaixadora do Samba , e desfilam na Ala Império, na bateria e na ala das crianças.

“…É Tradição E O Samba Continua!”

Texto: Maurício Coutinho


HALL DA FAMA VAI-VAI
Homenagem: HENRICÃO

vv-hall-da-fama

“Apresentamos aqui no Grand Record Brazil, várias composições de Henricão (Henrique Felipe da Costa, Itapira, SP, 1908-São Paulo, 1984), inclusive duetos dele com Cármen Costa, cantora que ele próprio lançou,na edição de número 75, e que conseguiria maior sucesso de mídia que ele.

Como bem se lembram os amigos cultos, ocultos e associados do TM, apresentamos na ocasião um esboço biográfico da obra deste compositor, que ganhou o apelido por causa de sua exagerada estatura (quase dois metros de altura) e, pouco antes de falecer, ficou na história como o primeiro Rei Momo negro do carnaval de São Paulo. Também marcou presença como ator de cinema e televisão e, apesar de ter feito inúmeras composições de sucesso e de toda a sua fama, vivia em dificuldades financeiras, até passando fome, mas sempre ajudado pelos amigos e encarando a vida com otimismo e esperança.

Pois nesta centésima-quarta edição do GRB, apresentamos mais um pouco do legado do notável Henricão,tanto como autor quanto apenas intérprete, com uma seleção de nove gravações de valor artístico e histórico inquestionáveis. Abrimos a seleção desta semana com três duetos do compositor com a carioca Sarita, cuja biografia é um mistério para muitos pesquisadores, em gravações Odeon. O primeiro é “Moreninha do sertão”, toada do acordeonista Antenógenes Silva , evidentemente com a participação dele mesmo no acompanhamento (sua popularidade era tão grande que seus discos, mesmo quando cantados, tinham seu nome acima dos de quem interpretava as músicas).

A gravação é de 9 de maio de 1936, tendo sido lançada em outubro do mesmo ano com o número 11398-B, matriz 5340. A segunda faixa com Henricão e Sarita é “Noiô noiô”, maracatu dos irmãos Paulo e Sebastião Lopes (autores também de um clássico do gênero, “Coroa Imperial”), destinado ao carnaval pernambucano de 1937. A gravação data de 15 de dezembro de 36, sendo lançada um mês antes dos festejos momescos pela “marca do templo” com o número 11447-A,matriz 5494.

Escalou-se também, na faixa seguinte, o lado B, outro maracatu, este de Benigno Gomes e Franz Ferrer, “Chora, meu goguê”, matriz 5495. Em seguida, como solista, Henricão nos traz o samba “Pra que tanto ciúme?”, de Bucy Moreira e Lacy Martins (irmão de Herivelto),.também gravação Odeon, datada de 10 de dezembro de 1937, com lançamento em fevereiro de 38 (para o carnaval, “of course”), disco 11565-A,matriz 5731. O lado B, matriz 5732, também aqui está, e também é samba: “Qual foi o mal que te fiz?”, de Getúlio “Amor” Marinho e O. Patrício.

O samba-choro “Casinha da Marambaia”, de Henricão e Rubens Campos (sequência de “Só vendo que beleza”, de 1942), originalmente lançado por Cármen Costa em 1944, é aqui revivido ao solovox (considerado o primeiro sintetizador monofônico da história musical) pelo também maestro Roberto Ferri, à frente de seu conjunto, em raríssima gravação do selo Califórnia (gravadora fundada pelo compositor Mário Vieira e até hoje em atividade, dirigida pela terceira geração da família), datada de 28 de novembro de 1960, disco TC-1191-B, matriz TC-502. A “Marcha dos Democráticos”, interpretada solo por Henricão na faixa seguinte, é de Sátiro de Melo, José Alcides e Tancredo Silva, mesmos autores do clássico “General da Banda”.

Só se sabe que é gravação RCA Victor, possivelmente de disco promocional, não-comercializado. “Não me abandone”, samba do carnaval de 1944, que Henricão fez com Rubens Campos e José Alcides, é interpretado pela cantora que o compositor apadrinhou, Cármen Costa, em gravação Victor de 24 de novembro de 43, lançada um mês antes da folia, em janeiro, disco 80-0153-B, matriz S-052889.

O multi-instrumentista Garoto (Aníbal Augusto Sardinha, 1915-1955) executa ao cavaquinho, em ritmo de baião, “Está chegando a hora”, adaptação de Henricão e Rubens Campos para a valsa mexicana “Cielito lindo”, escrita em 1882 por Quirino Mendoza y Cortés. A música teve seu título mudado para “Chegou a hora” nesta gravação Odeon de 26 de maio de 1953, lançada em julho seguinte sob número 13472-B, matriz 9716.

A faixa seguinte, “Dever de um brasileiro”, com o próprio Henricão, outra parceria sua com Rubens Campos, é um samba da época da Segunda Guerra Mundial, relatando a despedida de um pracinha da FEB (Força Expedicionária Brasileira) para lutar na Itália, Gravação Victor de 4 de maio de 1943, lançada em julho do mesmo ano, disco 80-0095-A, matriz S-052762.

Por fim, “Será possível?”, samba também de Henricão e Rubens Campos e outra gravação Victor, agora do “Formigão’ Cyro Monteiro, datada de 5 de junho de 1941 e lançada em agosto seguinte com o número 34781-A, matriz S-052234.

É a faixa que encerra esta pequena-grande retrospectiva de Henricão, apresentando músicas seja de outros autores, por ele interpretadas solo ou acompanhado, e composições próprias apresentadas por outros expressivos nomes da MPB. Divirtam-se!

Texto: Samuel Machado Filho


HALL DA FAMA VAI-VAI
Homenagem: “SEO” NENÊ

vv-hall-da-fama3

Nascido em 09 de maio de 1925, na rua Santo Antônio, num cortiço de família italiana, Diamantino José Pinto Barbosa, o “Seo” Nenê do Vai-Vai, desde criança era apaixonado pela musicalidade do samba, que puxou de seu pai, músico que tocava num trio responsável por colocar som nos filmes do cinema mudo da época.

Fundador da Velha Guarda da Vai-Vai, saiu por 15 anos na bateria da escola, tornando-se, por idade, o mais velho componente de uma mesma escola de samba. “Seo” Nenê, um menino de 91 anos de idade e 80 anos de Vai-Vai. Após o falecimento da mãe, a família “Mirabile” ajudou o pai do menino magricela a criá-lo. Uma das filhas dele me criou e eu ficava junto lá na venda de carne no bairro, sendo que o caminhão dos açougueiros ainda era puxado por um burro”.

Com a influência italiana sobre todo o bairro do Bixiga, Diamantino também teve que se “italianar”. Foi batizado, fez primeira comunhão e se casou na igreja de Nossa Senhora Achiropita. Tentou ser coroinha, mas não deu certo. “A gente era mais interessado em comer os chocolates e os pães que a igreja nos dava”.

 Igreja e festa – A procissão saía e as famílias disputavam quem colocava mais dinheiro no estandarte de Nossa Senhora (até cem mil réis), principalmente os açougueiros e os batateiros. Na metade da procissão, o estandarte ficava coberto de dinheiro. Segundo “Seo” Nenê, os mais pobres jogavam moedas de mil réis. Após cumprir sua função de recolher o dinheiro que caía no chão e devolvê-lo à santa, ele só pensava no cordão. “A procissão e, depois, o cordão eram sagrados”, afirma.

A mistura acontecia sem celeumas. “A única coisa que difere o italiano calabrês e o negro é a cor da pele. Os dois são festeiros, falam alto, gesticulam”. “Importante lembrar que a primeira vez que vi o Vai-Vai, eu senti qualquer coisa dentro de mim, que eu não conseguia nem descrever”. Era o início da década de 1930. Diamantino não podia nem ouvir o cordão, que já corria atrás. “Se estivesse estudando ou fazendo qualquer outra coisa, largava tudo e saía cantando no Vai-Vai”.

Curiosa proteção – Nos desfiles, alguns foliões se encarregavam de proteger a ala dos instrumentos, formada sobretudo por bumbos, caixas e taróis. “Tinha o Sardinha, conta “Seo” Nenê, que me via magrinho, baixinho e falava que alguém iria acabar pisando nesse moleque – “…vai matar ele…”- aí me puseram para dentro, do lado da bateria”, ilustra. Desde que colocaram o”magricela” para dentro da bateria, nunca mais saiu.

Já adulto, tornou-se emérito músico profissional, tendo sido homenageado pela Ordem dos Músicos como “Melhor Ritmista”, além de ter conquistado cinco troféus “Roquete Pinto” com o regional do Caçulinha, com quem atuou por mais de 25 anos.

Viajou o Brasil inteiro em shows acompanhando Pixinguinha, Orlando Silva, Silvio Caldas, Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves, Angela Maria, Moacir Franco e muitos outros expoentes da Música Popular Brasileira.

Texto: Jornalista Maurício Coutinho

 

Racionais

Zoofilia

Porno Gratuito

Xvideos

Zoofilia

Porno

Video Pornô Lésbicas