BAIANAS DO VAI VAI
No GRCES Vai-Vai, a ala das baianas teve seu início numa bela quarta-feira, do mês de outubro de 1971, foi em virtude da transformação de cordão para escola de samba, pois o cordão tinha seu desfile pautado em outros elementos, com isto não era obrigado a ter ala de baianas.
Mas felizmente checamos a escola de samba e pudermos desfrutar da benção e da proteção destas grandes divas.
Nossa ala das baianas começou com força total. Sua formação foi calçada em cima das grandes damas do cordão, dentre elas, podemos destacar Dona Ana que foi uma das fundadoras do cordão e por muito tempo teve a primazia de ser a baiana símbolo da escola. De lá pra cá destacamos também as nossas saudosas Dona Rosa, Dona Nenê, Dona Cida, Dona Mafalda, Tia Marcinha e Dona Terci. E hoje, após 34 anos de sua fundação, nossa ala de baianas continua mais forte que nunca, suas atuais componentes cumprem com maestria e dignidade as funções que lhe foram conferidas e herdaram de suas antecessoras.
Nossas baianas continuam nos cobrindo com seu manto sagrado (pano da costa), continuam espalhando pelo ar seu axé e iluminando os caminhos de nossa diretoria e componentes, com isto nos dando a proteção necessária para que trilhemos o caminho da vitória que já é peculiar a nossa querida Escola de Samba Vai-Vai.
Axé minhas baianas, axé minhas doces e singelas senhoras, que Nossa Senhora Achiropita, cubra com seu manto sagrado e abençoe essa nossa querida ala iluminando nossos caminhos e que seus orixás de cabeça estejam sempre lhes dando a proteção necessária para que vocês, as divinas senhoras da avenida cumpram com a dignidade de sempre as atribuições que lhe são conferidas.
A Diretoria da Ala das Baianas do Vai-Vai está a cargo de Dona Joana Aparecida Barros. Para se inscrever é necessário ter no mínimo 20 anos, disponibilidade para os ensaios e procurar a Diretoria na quadra, aos domingos.
BAIANAS, AS VERDADEIRAS DIVAS DA AVENIDA
Oh... Divinas e graciosas damas do Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Vai-Vai, que com sua simpatia e malemolência trazem consigo toda a magia e a cultura de um povo, povo este que mesmo com todos os problemas que enfrentam no dia a dia, nunca ficou chorando e sempre viveu cantando fingindo contente.
Hoje, muitos têm as baianas como uma simples componente, como se fosse uma ala a mais, mas o que muitos esquecem que estas doces senhoras muitas vezes já foram passistas, destaques, chefes de alas e dizem também que algumas delas foram até um grande amor de um mestre-sala. Muitos não sabem e que se não fosse estas divinas e charmosas senhoras o samba não estaria no patamar que se encontra hoje.
Foram elas que na época em que falar de samba era crime, elas iam além, cultuaram o samba em seus terreiros onde muita gente bamba se fazia presente e das simples cantoria e das singelas batucadas se transformaram em grandes rodas de samba.
Um dos terreiros mais famosos de que se tem notícia era o terreiro da Tia Ciata, uma das muitas baianas que migraram para o Rio de Janeiro, trazendo suas magias, orixás, comidas e muito axé.
E estas valentes senhoras eram perseguidas por dois motivos: pelo culto do candomblé, que na visão das autoridades da época era algo profano, ou pelo culto do samba. Numa época em que os sambistas eram considerados um bando de marginais e desordeiros, a perseguição era implacável. Mas como tudo que é proibido e perseguido, na maioria das vezes, vira moda, foi daí que por este Brasil afora, as Tias Ciatas foram se multiplicando e o samba se agigantando e tomando forma, (o samba tomou seu feitio no morro, veio para a sociedade e não parou por ai).
E como o samba vem da cultura africana e todos nós sabemos que esta cultura tem um cunho matriarcal, ou melhor, quem comanda é a mulher. E com a libertação dos escravos e a chegada dos imigrantes o homem negro ficou sem serviço e a mulher negra passou a sustentar a casa, por restar a ela um pouco da mão de obra, que ainda era aceita pelos brancos e que os imigrantes não tinham competência para exercer, tal como: ir para o fogão e preparar os deliciosos quitutes que só elas sabiam fazer, e as suas rezas e suas bençãos contra o mal olhado, e as suas garrafadas (fortificantes), pois a maioria dessas grandes senhoras era mães de santo e quituteiras.
E são elas que no rodopiar da suas saias nos transmitem paz, amor e saúde, são elas as baianas das sete saias, saias de cor branca, (baiana das sete saias lavando a escada do Bonfim, quando descer a ladeira jogue um beijinho para mim). E do pano da costa, é nele que ela guarda toda a sua magia e poder, para nos benzer e nos proteger dos males espirituais, e com seu pano de costas cheio de axé que na avenida nos traz a proteção para o bom andamento de nosso desfile.
No auge dos seus sessenta, setenta ou até mesmo oitenta anos, elas viram meninas quanto estão desfilando e defendendo as cores do nosso Vai-Vai. Quem não se emociona ao ver aqueles rostos com as marcas do tempo, mas esbanjando um sorriso singelo e cativante de sempre.
Assista a TV VAI-VAI: Comunidade VAI-VAI mostra seu trabalho artesanal - 30/1/2012